Cineasta aprende a programar e desenvolve site para valorizar mulheres negras do audiovisual

Quando falamos em empoderamento por meio da tecnologia na Programaria, partimos do princípio de que a tecnologia é uma ferramenta capaz de promover mudanças na vida das pessoas. Queremos que mais mulheres possam se apropriar da programação para criar projetos, iniciativas e negócios que gerem impacto no mundo!

Carol Rodrigues, diretora e roteirista audiovisual, também partilha dessa visão. Ela participou da primeira edição do Curso Eu Programo da Programaria e utilizou os conhecimentos aprendidos para enfrentar uma questão que sempre a inquietou: a falta de profissionais negras nas equipes em que trabalhou. “O audiovisual é uma área muito racista e machista e há algum tempo discutimos sobre formas de dar visibilidade a nós, profissionais negras, e aos nossos projetos”, disse em entrevista com a gente.

O site Mulheres Negras do Audiovisual mapeia profissionais negras e indígenas de todo o Brasil e disponibiliza perfil, área de atuação e o contato de cada uma delas. “O objetivo é dar visibilidade aos nossos projetos, ampliar a rede de contatos e de parcerias como uma das formas de resistir e continuar numa área ainda muito machista e racista”, explica a fundadora do site que, em menos de 1 semana, já conta com mais de 50 profissionais espalhadas por 12 estados brasileiros. E a tendência é reunir ainda mais mulheres: “Quem quiser se somar e ajudar é só entrar em contato pelo site.”

Vale a pena conhecer o trabalho audiovisual da Carol também! Seu filme “A Boneca e o Silêncio” está circulando em mostras e festivais há quase 2 anos! A história de Marcela, uma menina de 14 anos que toma a decisão de interromper uma gravidez indesejada já foi premiada como melhor curta eleito pelo público do 6 FESTin em Lisboa, Melhor Curta eleito pelo Júri e pelo Público do Entretodos 8, do Prêmio do Júri do Boat of Culture na Polônia e como Melhor direção do 2 Raipur Short Film Festival na Índia. Passou também em escolas, faculdades, sindicatos, organizações de movimento negro e do movimento feminista.

Em entrevista, a Carol contou um pouco mais sobre como foi o processo de criação e quais os maiores desafios que ela enfrentou ao começar a programar. Leia abaixo:

PrograMaria: De onde veio a ideia de fazer esse site?

Carol Rodrigues: O audiovisual é uma área muito racista e machista e há algum tempo discutimos sobre formas de dar visibilidade a nós, profissionais negras, e aos nossos projetos. Assim, quando consegui a vaga para o curso de programação front-end promovido pela PrograMaria, achei que era uma ótima ideia tentar desenvolver algo nesse sentido.

PrograMaria: Como foi a experiência do curso? Qual a experiência de fazer um site completo do zero?

Carol: Sem o curso eu não conseguiria ter feito nada, honestamente. Porque uma das coisas que mais me ajudaram foram as rodas de conversa, as dúvidas tiradas, a estruturação das ideias no espaço coletivo. Se eu tentasse fazer unicamente por tutoriais online, acho que ainda estaria rabiscando intenções.

O melhor de fazer um site do zero é poder construir tudo de acordo com suas necessidades. De alguma forma, eu me sentia mais livre pra poder pensar em mecanismos de navegação. Claro que dessa forma, você também tem maiores chances de errar. Mas quando você acerta, a sensação é muito recompensadora e fortalecedora.

PrograMaria: Qual foi maior desafio?

Carol: Foram vários. Em primeiro lugar, é preciso pensar em narrativas possíveis de navegação para assim estruturar o site. Depois, ver de que forma cada seção combina entre si. Depois, vem o design, a cara que o site teria. Acho que eu o modifiquei mais de 20 vezes. E isso é só assentar o terreno para começar a edificar. Com a programação em si, meu maior desafio foi sem dúvida com Javascript que tem uma lógica própria e eu sinto que ainda preciso domá-la de fato. Meu próximo passo é tentar aprender uma linguagem que permita que o site se torne dinâmico e cada profissional possa ter acesso e atualizar seu próprio perfil. Mas não acredito que a caminhada nesse sentido seja solitária e já estou buscando parcerias para isso.  

PrograMaria: O que diria para meninas que estão interessadas em aprender a programar?

Carol: As mulheres precisam ocupar a área da tecnologia. Dominar programação é um conhecimento estratégico em termos sociais, econômicos e políticos e também é uma ferramenta de proteção e fortalecimento individual e coletivo.

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