Consumo de energia: o que tem a ver com o futuro do planeta?

Descubra o que você pode fazer para tornar a matriz energética brasileira mais sustentável, aderindo, defendendo e incentivando a geração distribuída compartilhada

 

Você provavelmente já sabe que a geração de energia é responsável por boa parte da emissão de gases estufa. Você desliga as luzes quando sai de um cômodo, evita ligar o ar-condicionado e compra eletrodomésticos com padrão A em consumo de energia. Você talvez já tenha desligado todas as luzes da sua casa em manifestação contra as mudanças climáticas e apoiado abaixo-assinados contra a destruição de biomas para a construção de hidroelétricas. E por mais importantes que essas ações sejam (e elas são!), ainda parece pouco diante da urgência do tema. Mas, individualmente, é tudo que você pode fazer, certo? Errado. 

Para as pessoas ansiosas de plantão, adiantamos a resposta: você talvez não saiba, mas tem o poder de escolha sobre a origem da sua energia e, com isso, contribuir direta e ativamente para ampliar a quantidade de fontes renováveis conectadas à matriz energética brasileira. É possível fazer isso sem investimentos, obras e ainda economizar dinheiro no final do mês.

Mas vamos começar retomando qual o impacto ambiental do nosso consumo. Em 2019, foram aproximadamente 420 Megatoneladas de CO2 equivalente. Esse peso representa mais de 900 aviões comerciais. Considerando que uma árvore consome em média 76 kg de CO2 no ano, seriam necessários aproximadamente 6 bilhões de árvores para absorver essa quantidade de gases! Nós sabemos que o consumo de energia elétrica não vai diminuir, muito pelo contrário – a tendência de substituirmos carros movidos por combustíveis fósseis pelo elétricos é um bom exemplo de como a eletricidade é uma necessidade crescente. Fica evidente, então, a urgência de consumirmos de fontes limpas e sustentáveis. 

Agora que já entendemos o tamanho do impacto, você deve estar se perguntando “eu não sei de onde vem a energia que consumo. Como eu posso contribuir para o esverdeamento da matriz energética?” Em países como Japão, Alemanha, Reino Unido, Nova Zelândia, El Salvador, entre outros tantos, as pessoas podem escolher de onde comprar sua energia – assim como escolhem seus provedores de telefonia – e, portanto, podem optar por produtores renováveis.  

O Brasil tem um modelo um pouco diferente.  Aqui há dois tipos de pessoas consumidoras – as livres, mencionadas acima, e as cativas, aquelas que só podem comprar da distribuidora local.  No nosso país,  consumo livre só é permitido a quem tem uma demanda superior a 500 kW, o que significa uma conta de mais de R$ 80.000 por mês. Para te dar uma ideia, esse volume é o equivalente ao consumo médio de 800 casas, 100 pequenos comércios ou 20 supermercados. 

Provavelmente você não consome energia suficiente para participar do mercado livre de energia, mas você pode gerar a sua própria energia renovável. E isso não significa investir em placas solares para o seu telhado. A Geração Distribuída, GD para os íntimos, foi criada em 2012 e permite que consumidores/as cativos/as gerem sua própria energia a partir usinas de energia renovável (solar, eólica, biogás) que estão conectadas à rede de distribuição, mas não diretamente conectadas aos seus imóveis. A GD é bastante popular numa modalidade chamada Autoconsumo remoto, isto é, uma usina totalmente dedicada a uma unidade consumidora. Mas, calma: não estamos sugerindo que você tenha uma usina totalmente dedicada. 

Outra modalidade, menos popular, é a geração distribuída compartilhada, na qual diversas unidades consumidoras se associam para gerar energia. Nessa modalidade, uma usina gera energia para 200 consumidores/as cativos/as – e é exatamente dessa forma que você pode incentivar a construção de usinas renováveis, esverdear a matriz energética e diminuir significativamente sua pegada ecológica. Como? É mais simples do que parece.

Você não precisa construir a sua usina. Na verdade, você não precisa fazer nenhum tipo de investimento ou obra. Tudo que você precisa fazer é alugar um pedaço de uma usina, suficiente para gerar energia equivalente ao seu consumo médio. Toda a carga injetada na rede de distribuição é transformada em créditos que serão abatidos da sua conta de luz pela distribuidora. Como você continua conectado/a à distribuidora, se você quiser deixar de alugar a usina, ou se por qualquer motivo ela deixar de gerar, você não ficará sem luz. O mais interessante, contudo, é que além de não fazer nenhum investimento, normalmente o custo dessa locação é inferior ao valor dos créditos gerados: na prática isso significa que além de sustentável a GD compartilhada reduz custos para quem consome energia elétrica por este modelo. 

Energia sustentável e menos custos – se isso é possível, por que não é tão popular? Por causa da complexidade jurídica e operacional e da falta de tecnologia para endereçá-las. Na chamada Minigeração Distribuída as usinas têm entre 1MW e 5 MW, potência suficiente para atender o consumo de até 1.000 residências, 400 padarias e 50 supermercados. Agregar todos/as esses/as consumidores/as, viabilizar a locação de uma usina para eles, administrar a alocação da energia gerada de acordo com a parcela locada e gerir a relação com a distribuidora local não é uma tarefa simples. É exatamente por isso que, apesar da geração distribuída compartilhada existir desde 2015, ela representa hoje menos de 2% de toda a geração distribuída.

Democratizar o acesso à geração distribuída compartilhada é oferecer poder de escolha para um consumo consciente, sustentável e economicamente viável para todo mundo. É isso que empresas como a Lemon fazem por meio da tecnologia. Oferecemos aos pequenos e médios negócios a possibilidade de gerar sua própria energia a partir da locação de uma parte de uma usina renovável por meio de uma experiência totalmente digital, sem investimentos ou obras. Além de contribuir para o esverdeamento da matriz energética e a redução da emissão de gases estufa, clientes Lemon economizam dinheiro, o que o permite remunerar melhor equipes, expandir seus negócios, fazer substituições sustentáveis etc. 

Então, retomando a provocação inicial: o que mais você pode fazer? Você pode ajudar a ampliar o poder de escolha, defendendo o incentivo à geração distribuída compartilhada, se conectando a usinas compartilhadas e incentivando que outros negócios e pessoas façam essa escolha.

Essa é mais uma forma de utilizar a tecnologia a favor do meio ambiente, beneficiando-se dos recursos naturais com consciência e por escolha. Além disso, esse passo, quando somado às demais escolhas diárias, tem o potencial de expandir alguns dos benefícios mais discretos e grandiosos ao mesmo tempo. Essa conjunção auxilia, no amplo espectro, a regeneração dos ciclos naturais, dos biomas, da fauna e da flora, e da diminuição na emissão de gases estufa. Possibilita, também, a reconstrução e o desenvolvimento das comunidades locais. É aquela coisa: a forma como cuidamos da natureza é como ela cuida de nós de volta. Está mais do que na hora de entendermos, agirmos e exigirmos esta mudança. É um ganha-ganha. 

 

CRÉDITOS:

Ana Capelhuchnik, Legal & People Director na Lemon Energia Com dupla graduação em Direito e Ciências Sociais, pela PUCSP e USP, respectivamente, se especializou em Direito Digital na FGV. Atualmente é diretora responsável pelos times de Pessoas, Jurídico, Compliance e Relações Institucionais da Lemon Energia, startup na qual também é parte do time fundador. Redes sociais: https://www.linkedin.com/in/ana-himmelstein-capelhuchnik

Camila Belluco, Especialista em ESG e Compliance na Lemon Advogada pela PUC-SP. Possui experiência em compliance e relações governamentais. Nos últimos anos trabalhou no mercado financeiro e atualmente está na Lemon, onde atua nos pilares de ESG e Compliance. Redes sociais: https://www.linkedin.com/in/camila-belluco-11920a90/

Nayanne Brito, Especialista de Energia na Lemon Energia Engenheira de energia formada pela UnB com passagens acadêmicas na Politécnica de Montreal e no Instituto de Ciências Aplicadas de Rouen na França e MBA em gestão estratégica de negócios.  Trabalha desde 2013 no setor de energia, com passagens por associações setoriais, comercializadoras e multinacionais de energia. É parte do time fundador da Lemon Energia. Redes sociais: https://www.linkedin.com/in/nayannebrito/

REVISÃO:

Luciana Fleury, jornalista

Formada em Jornalismo pela Cásper Líbero. Tem trabalhado com o desenvolvimento de projetos editoriais, produção de conteúdos e edições de textos. É mãe orgulhosa da Gabriela e coleciona globos de neve. Redes sociais: https://www.linkedin.com/in/luciana-fleury-1b024083/

 

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