Mais representatividade e estímulo para aumentar a presença de mulheres na tecnologia

Ação #MaisMulheresNaTecnologia, em parceria com a Intel, marcou o mês das mulheres com diversas atividades

Com o objetivo de contribuir para uma maior presença feminina nas áreas tecnológicas, a PrograMaria e a Intel promoveram a ação #MaisMulheresNaTecnologia, que trouxe uma série de atividades durante o mês de março, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. “A falta de estímulo e de representatividade são apontadas como dois dos principais fatores para a baixa presença de mulheres na área de tecnologia, então criamos atividades para endereçar estes problemas”, explicou Iana Chan, fundadora da PrograMaria.

De acordo com estudo da Girls Who Code , 74% das garotas do Ensino Fundamental se interessam pelas áreas de STEM (do inglês Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), mas, no Ensino Médio, apenas 0,4% delas planejam estudar Ciência da Computação. Outra pesquisa realizada no Brasil e divulgada pela ONU Mulheres diz que apenas 17% dos estudantes de programação são mulheres. A porcentagem se mantém no mercado de trabalho nacional, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) no ano passado.

A Intel se destaca como uma das empresas que mais emprega recursos em diversidade – em 2005, anunciou investimento de US$ 300 milhões –  e publica, anualmente, um relatório com dados de diversidade e inclusão. A PrograMaria tem a missão de empoderar mulheres na tecnologia por meio de oficinas, eventos, cursos e palestras. Juntas, as duas atuam para criar e fortalecer o vínculo do empoderamento feminino nas áreas da ciência e tecnologia. As ações da parceria foram divididas em três etapas: mapear mulheres incríveis, contar as histórias delas e inspirar as novas gerações.

Mapear mulheres incríveis

Divulgação/PrograMaria

Atualmente, apenas 17% dos artigos biográficos na Wikipédia retratam mulheres. Isso ocorre porque 90% das pessoas que editam a enciclopédia colaborativa são homens. “Consumimos informação da Wikipédia o tempo todo e, se as mulheres não estão bem representadas ali, a percepção, equivocada, de que não há mulheres notáveis em diversas áreas do conhecimento é repercutida e continuamos alimentando narrativas sobre o que mulheres podem ou não fazer. Com mais mulheres editando Wikipédia, há uma sensibilidade maior para esse tipo de questão, fomentando a redução da lacuna de gênero nos conteúdos”, disse Erica Azzelini, bolsista da FAPESP no Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática e entusiasta da Wikimedia.

O primeiro passo da ação foi reunir nomes de mulheres que fazem ou fizeram história nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática para aumentar o número de perfis femininos na plataforma ou ampliar as informações daqueles já existentes. Houve uma ação online para a coleta dessas sugestões e, também, uma rede de mulheres ativamente pesquisou nomes que mereciam ter perfil na Wikipédia, selecionando as que tinham artigos incompletos, ou ainda não traduzidos para o português.  

Contar as histórias delas

Divulgação/PrograMaria

A segunda etapa foi garantir que essas histórias alcancem mais pessoas. Para isso, a PrograMaria organizou uma Editatona ou Maratona de Edição, um tipo de evento, que ocorre no mundo todo, durante o qual várias pessoas se reúnem para editar ou melhorar o conteúdo da Wikipédia, geralmente de um tema específico.

A Editatona #MaisMulheresNaTecnologia ocorreu no prédio da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), unidade Paulista, no sábado seguinte ao Dia Internacional da Mulher, e focou justamente em editar os artigos das mulheres mapeadas na primeira fase. Gisselle Ruiz y Lanza, diretora de varejo da Intel Brasil, e  Bárbara Toledo, gerente de Marketing da Intel Brasil, deram as boas vindas e falaram sobre a preparação para o evento, em que mais de 20 colaboradores da Intel realizaram voluntariamente uma pré-editatona, traduzindo cerca de 40 artigos para serem publicados durante a Editatona.

Em seguida, as participantes receberam treinamento de Érica Azzellini. Ela deu dicas de como editar a Wikipédia e buscar informações válidas, além do auxílio de outros facilitadores com experiência na plataforma.

Confira como foi a Ação #MaisMulheresNaTecnologia

O encontro reuniu mais de 40 pessoas que, além de entrarem em contato com as histórias mapeadas, criaram, traduziram e melhoraram 45 perfis de mulheres das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. “Foi incrível ver o número enorme de mulheres que se destacam em diferentes áreas. Isso mostra que não é algo tão inalcançável ou impossível. A Editatona me apresentou mulheres que hoje são inspirações pra mim. Eu me senti honrada em ser a pessoa que tornou essa história pública”, conta Gabriela Fleury, estudante de Engenharia Civil da UFRGS que participou do evento e continuou colaborando com artigos sobre mulheres na Wikipédia mesmo depois da maratona. É possível ver o resultado da maratona e conferir quais artigos foram criados aqui.

Inspirar as novas gerações

Divulgação/PrograMaria

Para estimular jovens estudantes a explorarem o universo da tecnologia, foram realizadas duas edições da oficina Meu Primeiro Bug para alunas do ensino médio ou recém-formadas. Nos dias 16 e 23 de março, 40 meninas entre 15 e 20 anos tiveram seu primeiro contato com programação, aprendendo fundamentos de HTML e CSS, e  publicaram sua primeira página web sobre Ada Lovelace, o primeiro ser humano a escrever um código para ser processado por uma máquina.

As oficinas aconteceram na Escola Senai de Informática e foram ministradas por Mayra Oliveira, educadora da PrograMaria. “As oficinas têm um papel muito importante para aumentar a igualdade de gênero no mercado de tecnologia. As alunas se sentem acolhidas, representadas e percebem que programação não é algo impossível de aprender. Isso as encoraja a estudar mais e iniciar suas carreiras em tecnologia”, disse ela.

“A oficina me abriu portas para o mundo da programação, declarou Ana Luísa Piceli, de 17 anos, participante de uma das edições. “Eu estava convicta de que prestaria vestibular para arquitetura, porém, a oficina despertou meu ‘eu’ de 13 anos que amava mexer com tecnologia, e que deixou isso de lado por causa da falta de inspiração e exemplos femininos. Agora eu sinto que posso, sim, ser uma mulher bem-sucedida na tecnologia e que este não é um ramo exclusivamente masculino. Mulheres podem e devem seguir esse caminho, afinal, o lugar da mulher é onde ela quiser!”, completa.

Divulgação/PrograMaria

Depois de uma palestra introdutória sobre mulheres e tecnologia, profissionais da área contaram suas trajetórias para inspirar as participantes. Clarissa Martins, Gerente de Desenvolvimento de Negócios na Thoughtworks, e Mirella Esther da Silva, Engenheira de Soluções no Facebook deram dicas para as meninas alcançarem a realização profissional na tecnologia. Aprenda a aprender, peça ajuda a outras mulheres, orgulhe-se da sua bagagem, aprimore-se, cuide da sua saúde, enfrente seus medos e celebre suas conquistas foram alguns tópicos da palestra “Precisamos resistir, o caminho não é fácil”, de Clarissa.

A aluna Beatriz Dias Lopes, de 17 anos, relatou que participar da oficina a fez repensar seu futuro profissional. Eu estava pensando em não seguir nessa área, as palestras mudaram meu ponto de vista e me encorajaram”, disse ela, que agora pretende cursar graduação em Banco de Dados.

Sementes plantadas

As três etapas foram concluídas com 45 novos artigos na Wikipédia e um alcance direto de quase 100 pessoas, com jovens inspiradas e motivadas para se tornarem #MaisMulheresNaTecnologia. Letícia Brito, também participante da oficina, declarou que este foi apenas seu primeiro de muitos eventos da área e completa: “Muito obrigada por nos acolher nesse mundo tecnológico, que é tão complicado pra nós, mulheres. Um dia, seremos Ianas, Clarisses e Adas”.

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