Mulheres perderam representatividade nos cursos de computação

Todo mundo fala que as mulheres são minoria nos cursos de computação. A gente quis saber qual o tamanho dessa encrenca!

Fizemos um pedido via Lei de Acesso à Informação para o MEC/Inep e qual não foi a nossa surpresa ao ver que a representatividade feminina nos cursos relacionados à computação não só é baixa (baixíssima), mas tem caído ao longo dos anos? Exatamente!

Apesar de o número de matrículas efetuadas ter crescido muito nos últimos 24 anos (586%!), o número de mulheres não acompanhou esse aumento na mesma proporção. Resultado: o índice já baixo de 34,89% em 1991 está ainda mais baixo, 15,53%. Segundo o último Censo da Educação Superior disponível, de 2013, numa sala de 100 pessoas, apenas 15 são mulheres. Veja no gráfico:

Muita gente ainda insiste que as mulheres não se interessam por tecnologia ou, pior, que elas não têm a habilidade necessária. Tem gente que usa o baixo número de mulheres na área como argumento para comprovar que elas não se interessam, que são “mais emocionais” e por isso procurariam áreas como enfermagem e pedagogia. Mas isso não é inato (leiam a matéria “Não existe cérebro masculino ou feminino”, sobre um estudo que descarta que haja diferenças anatômicas significativas por razão de sexo), é construído por meio dos estímulos que recebemos durante a nossa vida.

Somos ensinadas desde pequenas a ser cuidadoras e a servir. Ganhamos bonecas e conjuntinho de panelas para brincar, enquanto os homens recebem outras expectativas sociais. Na maioria das casas, o computador e o videogame ainda são objetos direcionados ao menino.

Tudo isso cria uma narrativa cultural de que mulher e tecnologia não combinam. O senso comum de que “a mulher não é boa em matemática” obviamente tem consequências na relação que as mulheres têm com tecnologia e nas carreiras que escolhem seguir. Leiam também esta ótima entrevista: “Estereótipo de que ‘matemática é para garotos’ afasta meninas da tecnologia, diz pesquisador”.

Dado do Girls Who Code mostra que 74% das meninas demonstram interesse pelas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, mas só 0,4% escolhe estudar ciência da computação. Tem algo errado nessa história.

A tecnologia é onipresente em nossos dias. Ela já determina a maneira com que nos informamos, estudamos, nos relacionamos. Enfim, nossa vida é transformada a cada nanossegundo pelo mais novo aplicativo, produto ou serviço que surge. Saber que as mulheres estão cada vez menos participando da produção desse futuro é muito preocupante. Vamos mudar isso? =)


Quem quiser brincar com os números, pode acessar a planilha com os dados sobre os cursos da área de computação.

 

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