Obrigada, mãe, pelo seu legado

“A primeira lembrança que tenho de alguém programando é com a minha mãe. Foi aos 5 anos que tive meu primeiro contato com programação e foi com ela, a primeira programadora da minha vida. Ela fez um curso de Basic, pediu um computador e uma impressora matricial para o meu pai e lembro que passava tardes e tardes sentada em frente ao computador.

Ela digitava muitas coisas e às vezes mandava imprimir. Levantava, olhava, às vezes fazia cara de quem não estava satisfeita e voltava a programar. Até que um dia ela conseguiu o resultado que buscava. Não entendia por que tanta felicidade! Então ela gravou o que tinha desenvolvido em um disquete e foi à locadora perto de casa.

Ela tinha programado uma solução para eles: um sistema de cadastro de clientes e filmes, de agendamento, impressão de etiquetas etc. A locadora funcionou por muitos anos com o sistema dela.

Minha mãe instalava jogos no DOS, digitava várias coisas e mandava imprimir desenhos para eu e meu irmão colorirmos, ela nos ensinou a entrar no computador e achar os jogos infantis que havia instalado.

Nunca soube porque sempre tive facilidade com computadores e desenvolvimento, mas lembrando como ela me incentivava a mexer no DOS, tenho certeza que minha mãe me influenciou muito. Decidi fazer a faculdade de Sistemas de Informação e hoje entendo porque ela tinha tanto orgulho do meu curso técnico em informática, porque ela ia todas as noites me buscar depois do estágio, porque muitas vezes ela deixava de almoçar para mandar o motoboy entregar o almoço para mim… Quando eu fazia faculdade, minha mãe ficava todas as noites acordada me esperando chegar para perguntar como havia sido a aula.

De certa forma, carrego o seu legado. Minha mãe começou a história de programação na família e nós, mulheres, estamos passando adiante.

Obrigada, mãe, por ter sido meu primeiro exemplo de mulher guerreira em áreas predominantemente masculinas. Ontem na programação e hoje como vendedora de automóveis. Obrigada por ser meu espelho de como devemos ser guerreiras.”


Gabriela Galves Nunes, 27 anos, desenvolvedora.

Recebemos esse relato lindo de Gabriela Galves Nunes na nossa página no Facebook, em um sábado de manhã. Nos inspirou tanto e nos emocionou tanto que resolvemos compartilhar com vocês. Ao que Gabriela respondeu: “Sintam-se à vontade para contar para outras meninas. Agora essa história pertence a nós”. Obrigada, Gabriela! <3


Aimeê Ferreira é ilustradora e designer formada pela FAU-USP. Seu trabalho pode ser visto em http://www.aimeesf.com/ 

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