Como uma startup toma decisões de tecnologia? – Parte 1

Descubra como a área de Produto se encaixa no processo de tomada de decisões de uma startup

Trabalhar em uma startup é como estar em um carro a 100km/h que nunca pode diminuir a velocidade ou parar, mas ainda ser necessário trocar as peças em movimento para que ele continue andando. E como fazer isso e ainda aumentar sua potência?

Essa é primeira parte da série “Como uma startup toma decisões?” Nos artigos, vamos explicar como nasce uma ideia em uma startup, como são tomadas as decisões.

Nesse artigo inicial, vamos falar como a área de Produto se encaixa nesse processo. Você também vai ficar sabendo como as áreas de Tecnologia e Qualidade se inserem nessa conversa.

Antes de mais nada, vamos passar por alguns conceitos básicos:

O que é uma startup?

Startup é um dos termos mais falados na atualidade e talvez seja uma das primeiras coisas que pensamos quando falamos sobre trabalhar no mercado de tecnologia e inovação. Esse termo surgiu em meados dos anos 90 nos Estados Unidos com algumas características específicas que se mantêm até hoje. 

Ser uma startup significa:

→ ser inovadora, focada em um crescimento constante;

→ possuir alta produção e entregas rápidas;

→ ser facilmente escalável;

→ estar presente em um mercado pouco explorado.

Uma startup está inserida em um cenário incerto, portanto, precisa ser flexível e responder a mudanças de maneira ágil, estando baseada em um ambiente de aprendizado rápido e constante. Além disso, startups possuem alto grau de colaboração entre times. Em uma startup, todas as pessoas têm a oportunidade de aprender sobre o cotidiano de colegas e desempenham mais de uma função ao mesmo tempo, devido à estrutura de equipes enxutas e do gerenciamento ágil de projetos.

Essas características são opostas às de empresas tradicionais, que atuam em um mercado sólido, com alto grau de certeza e baixo risco. 

Ser uma empresa tradicional significa:

→ colocar o tradicionalismo acima da inovação;

→ atuar em mercados consolidados e com soluções já existentes;

→ produzir recursos que já são conhecidos pelo público-alvo.

Nessas empresas você encontra alto grau de estruturação de processos e times. Assim, cada pessoa desempenha uma função específica e pode se tornar especialista nela. A colaboração se torna menor, uma vez que geralmente tais empresas trabalham com modelo Waterfall.

Para não dar muito conflito com o termo Waterfall e o que  foi dito na segunda parte podemos mudar essa última frase para: A colaboração se torna menor, uma vez que cada pessoa está focada em sua própria função.

Agora que você já sabe o que é uma startup e o que a diferencia de empresas tradicionais, vale entender como funciona o ciclo de um produto em um ambiente de inovação.

Ciclo de produto

Imagem de Gazeta Informativa 

O processo de construção e manutenção de um produto passa por 4 etapas principais:

→ Introdução: Momento em que o produto é introduzido no mercado. Há pouca competição e as vendas do produto são pequenas. O produto é validado massivamente por early adopters, que, geralmente, não pagam muito pela solução.

→ Crescimento: Período em que o produto é aceito pelo mercado. O número de vendas começa a subir e o produto precisa estar em constante processo de iteração e aprimoramento para suprir a necessidade de seu público-alvo e não deixar com que competidores (que começam a aparecer) tomem o seu lugar.

→ Maturidade: Momento no qual as vendas do produto atingem o seu auge e as partes competidoras começam a encontrar soluções alternativas, que podem desestabilizar o seu sucesso.

→ Declínio: Último momento, quando as vendas atingem a saturação e começam a diminuir, pois o produto não é mais novidade no mercado. Agora, é hora de levá-lo ao próximo nível ou deixá-lo morrer.

O ciclo de produto exige que a empresa esteja em constante alerta, notando as sutis mudanças de comportamento do mercado, estando preparado para mudar de rumo a qualquer momento para, assim, estar sempre à frente de suas partes competidoras e trazer valor para seu público.

Nos últimos anos, vemos uma grande proliferação de produtos digitais, o mercado está sendo constantemente bombardeado de novos produtos. O desafio das empresas é como garantir a atenção dos/as clientes.

Mas como podemos estar sempre à frente do mercado? Como podemos estar próximos às pessoas usuárias, de seus comportamentos e necessidades?

A importância do UX e seu impacto no negócio

O termo UX significa “User Experience” e abrange absolutamente todos os pontos de contato que uma pessoa usuária pode ter com o produto ou serviço de uma empresa. User Experience é o equilíbrio entre as necessidades de negócio da empresa e as necessidades de seus/suas usuários/as.

Utilizar uma abordagem centrada no User Experience significa:

→ Aumentar a conversão do seu produto, uma vez que a experiência das pessoas usuárias seja positiva e elas sintam que traz solução para seus problemas;

Diminuir o trabalho do pessoal de suporte, já que o produto foi desenhado pensando em quem faria uso. Assim, possíveis dúvidas e problemas que poderiam existir no produto já foram reduzidos com uma experiência consistente com a realidade do público;

Aumentar a fidelidade dos/as usuários/as com o produto e a sua marca.  Afinal, uma vez que a solução funciona e traz valor para a usa, dificilmente haverá a troca dessa experiência por outra, incerta;

Reduzir custos, já que o produto foi construído pensando nas pessoas certas, e com as funcionalidades que mais se adéquam ao problema de quem o utiliza. Dessa forma, a empresa não precisará gastar dinheiro na reconstrução de um produto que não servia ao seu propósito inicial.

No entanto, o processo de implementar uma cultura voltada para a pessoa usuária exige certa persistência. Trabalhar com UX exigirá que a empresa tenha uma alta proximidade com seu público, realizando constantemente entrevistas, questionários, pesquisas de campo, pesquisas secundárias, análises de dados, testes de usabilidade, entre outros. Será necessário direcionar a mentalidade de todas as pessoas do time para o/a usuário/a final, sejam pessoas desenvolvedoras, pessoas de negócio, de suporte, product managers etc (afinal, experiência do/a usuário/a não é feita só por designers), provando o valor que isso trará no final.

É construindo o produto com foco na experiência da pessoa usuária, que uma empresa conseguirá estar à frente do mercado e superar as expectativas do seu próprio público-alvo.

Como trabalhamos com UX na Arco Tech

O primeiro contato que a Arco Tech teve com User Experience já vem de muito longe. Desde o seu início, a equipe fundadora da empresa construiu sua solução baseada nas maiores dificuldades que escolas e alunos/as possuíam na hora de elaborar provas e estudar (isso porque nossos dois fundadores estavam completamente inseridos dentro de instituições de ensino!).

Manter essa cultura não foi tão difícil. A partir do momento que uma nova versão do produto estava levemente estável, começávamos a inserir processos mais incisivos de contato com as pessoas usuárias finais. Com o tempo, conseguimos evoluir nossa metodologia e trabalhar junto de nossos/as usuários/as em todos os projetos desenvolvidos.

Na Arco Tech nós trabalhamos majoritariamente com o Double Diamond, método que nos guia em nossas fases de descoberta, definição de problema, desenvolvimento de ideias e entrega final:

Imagem de: https://cargocollective.com/xueyin/Double-Diamonds-Methodology

Qual a parte primordial de todo esse processo? A primeira com certeza, a Descoberta.

É apenas conduzindo pesquisas que conseguimos desenvolver a empatia e abrir os olhos para a realidade de nosso público. Assim, conseguimos enxergar os reais problemas e construir soluções que sanem seus problemas e antecipem suas necessidades. É na Descoberta que mora a inovação de mercado, as demais fases seguirão o fluxo e trarão algo tangível e amigável para o/a usuário/a final (as demais etapas não são menos importantes, claro).

Outro ponto de grande importância para o UX e startups no geral é a colaboração. Na maior parte das etapas de desenvolvimento do projeto nos reunimos com pessoas desenvolvedoras, testers, pessoas de negócio e time de suporte para avaliar as expectativas e para que cada um consiga nos auxiliar no próprio desenvolvimento das soluções! Diversas pessoas de diferentes áreas, voltadas para o mesmo problema, conseguem trazer ricos insights do que apenas ficar pensando entre designers.

Como nosso processo de UX se integra com o ciclo de desenvolvimento

Na Arco Tech o processo de desenvolvimento de projetos de UX ocorre de forma adiantada ao time de desenvolvimento, assim conseguimos tempo para realizar todas as etapas do processo com calma, enquanto o time de desenvolvimento trabalha em algum projeto entregue anteriormente.

Os projetos que envolvem UX são diversos, desde funcionalidades novas que descobrimos que são necessárias para nossos/as usuários/as, refatorações de partes do sistema que estão gerando reclamações ou que nossas métricas nos mostrem gaps, até pequenos ajustes de layout.

Após a entrega de um projeto, sentamos e alinhamos com o time de desenvolvimento o que foi descoberto no projeto e as soluções encontradas, avaliamos as regras de negócios e todos os detalhes que são necessários. Os projetos entram em uma fila de priorização na qual existem outros projetos entregues anteriormente, ajustes pequenos, correção de bugs etc.

Agora, como sabemos o que e quando desenvolver?

Tudo é priorizado com base na Urgência X Importância da demanda e feito um balanço de Complexidade X Esforço X Valor. Assim conseguimos manter o time desenvolvendo apenas aquilo que é realmente importante no momento e entregando melhorias contínuas para nossos/as usuários/as.

CRÉDITO:

Marianne Braum, Product Design Lead & PM na Studos UX/UI Designer, Product Manager, Líder de Experiência do Usuário na Studos e ArcoTech. Aquarelista, nerd por natureza e apaixonada por doguinhos <3 Redes sociais: https://www.linkedin.com/in/maribraum/

REVISÃO:

Luciana Fleury, jornalista Formada em Jornalismo pela Cásper Líbero. Tem trabalhado com o desenvolvimento de projetos editoriais, produção de conteúdos e edições de textos. É mãe orgulhosa da Gabriela e coleciona globos de neve. Redes sociais: https://www.linkedin.com/in/luciana-fleury-1b024083/

Essa é primeira parte da série “Como uma startup toma decisões?” Artigos da série: sobre como a área de Produto, Tecnologia e Qualidade se inserem nessa conversa.

Este conteúdo faz parte da Sprint PrograMaria powered by Z-Tech | Mulheres em Startups.