Glossário - Termos fundamentais para navegar no universo das startups

O mundo das startups tem seu idioma próprio. Conheça o significado das palavras mais usadas no universo startupeiro

 

No mundo das startups, o uso de alguns termos específicos e estrangeiros é frequente. Isso acontece pois “importamos” muita coisa do Vale do Silício – o berço das primeiras startups e a principal referência empreendedora e tecnológica até hoje – e também porque, pela natureza peculiar das startups, novos termos foram cunhados para explicar o que acontece no dia a dia desses negócios. 

Como parte da #SprintPrograMaria Mulheres em Startups, selecionamos e explicamos neste artigo os termos mais comuns para que você possa compreendê-los e reconhecê-los nessa sua jornada pelo universo das startups.

Ah! Fique de olho: os termos em destaque que aparecem em algumas definições, também constam neste glossário.

Vale, primeiro, reforçar o conceito de Startup:

Startup: nome dado a uma empresa nascente (ou mesmo um grupo de pessoas), trabalhando em uma ideia, em busca de um modelo de negócio repetível e com escala, em um meio de incertezas. Startups são empreendimentos que giram em torno de inovações e/ou avanços tecnológicos, tornando-as negócios completamente novos, que precisam se validar como um todo (o que está sendo vendido, como está sendo vendido, porque está sendo vendido e para quem está sendo vendido).

 

Glossário

Aceleradora: organização responsável por acelerar o crescimento de startups, por meio de mentorias, treinamentos, acompanhamentos, geração de negócios com agentes parceiros e, em alguns casos, investimentos financeiros. A Liga Ventures, por exemplo, é uma das principais aceleradoras do Brasil, conectando grandes empresas e startups para a geração de negócios. 

Bootstrapping: termo criado para designar as startups que conseguiram crescer sem investimento de terceiras partes, apenas com dinheiro próprio, originado dos investimentos de partes societárias e das receitas do negócio. A palavra expressa a ideia de “levantar a si próprio pelas alças da bota”, referindo-se à realização de coisas difíceis e ao processo de alavancar a si mesma/o. 

Break even ou “ponto de equilíbrio”: momento no qual as receitas da startup cobrem os custos dela, originando um resultado igual a zero. A partir daí, qualquer adicional de receita resulta em um saldo positivo para o negócio. 

Burn rate: na tradução literal, “taxa de queima”. Refere-se ao valor gasto (“queimado”) para a startup manter sua operação. 

Business Model Canvas:  ferramenta utilizada para, literalmente, colocar no papel um modelo de negócio.

Cap table: representa a divisão societária entre todas as partes associadas de uma startup. Indica o quanto cada parte societária possui de participação (ou equity) naquela sociedade. 

Captação de recursos ou Fundraising: é a busca de uma startup por recursos financeiros para sustentar sua operação e fazê-la crescer. As fontes de recursos podem ser investidoras/es diversas/os: desde familiares e amizades, passando por investidor/a-anjo, até fundos de investimento institucionais e grandes empresas.  

Churn rate: é a taxa que indica os pedidos de cancelamentos, feitos por clientes, dos planos de assinatura de um produto ou serviço. É uma métrica muito importante, que indica o quanto a startup perdeu de clientes e receita em determinado período. 

Customer Development: Steve Blank, empreendedor norte-americano, um dos “gurus” do universo das startups, criou esta metodologia que representa o processo ideal de criação de startups. Você pode conferi-lo aqui

Customer Success: área numa startup responsável pelo “sucesso da/o cliente”, desenvolvendo um conjunto de ações que envolve desde o primeiro contato da/o cliente com o produto/serviço até o mapeamento de novas oportunidades de vendas. Bastante importante para evitar os cancelamentos de clientes nos seus produtos (impactando a churn rate), essa área e essa forma de pensar e agir logo foram replicados por negócios SaaS e outras empresas. 

Demodays e Pitch Days: eventos de apresentação de pitches de startups, bastante comum entre aceleradoras e fundos de investimento. O evento dá visibilidade às startups e conecta suas/seus empreendedores a diversos agentes do ecossistema

Design Thinking: forma de abordagem de resolução de problemas de forma coletiva e colaborativa, usada por muitas startups para o desenvolvimento de suas soluções. Os diversos stakeholders envolvidos são colocados no centro da ideação e do desenvolvimento destas soluções. 

Early stage: em português, “estágio inicial”. Designa as startups em seus anos iniciais (em geral, até 3 anos) e que ainda buscam por um modelo de negócio repetível, escalável e com demanda de mercado.  

Early adopters: são as/os primeiras/os clientes e pessoas usuárias de uma startup/produto. Normalmente, são pessoas com afinidade por inovações e tecnologias, bastante abertas ao teste de novos produtos e serviços.

Ecossistema (empreendedor): assim como na biologia, a palavra ecossistema foi usada no meio de empreendedorismo e inovação para descrever o conjunto de atores e de stakeholders (startups, grandes empresas, aceleradoras, mentoras/es, agências de fomento, fundos de investimento, governo, entre outros) que se relacionam e interagem entre si, visando e contribuindo para a geração de negócios e o crescimento desta rede como um todo. 

Equity: participação societária de uma empresa transferida a um/a investidor/a após seu aporte de capital (investimento). Por exemplo: se um/a investidor/a aporta 1 milhão de reais por 10% do negócio, ela/e passa a ter 10% de “equity” deste negócio, o que, na prática, significa que esta pessoa investidora poderá usufruir de 10% dos resultados distribuídos.

Escala: conceito muito comum no universo startupeiro, que permeia outros (como o modelo de negócio, por exemplo). Escala é a atuação em grande alcance e grande volume. Para as startups, a conquista de escalabilidade em receita, em base de pessoas usuárias e/ ou clientes deve vir acompanhada de um aumento pouco proporcional na estrutura que sustenta o negócio (custos e infraestrutura). Ou seja: a startup deve alcançar um resultado em escala com uma operação enxuta.

Financiamento por estágios:  toda startup passa por diversos estágios de desenvolvimento e, ao longo de todo o processo, necessita de recursos financeiros, muitas vezes aportados por investidores/as. Para cada estágio de maturidade das startups, existe um tipo de investimento e de investidor/a mais adequado. Saiba mais sobre essa prática neste vídeo

Founder e co-founder: “Founder” é o/a único/a fundador/a de uma startup. No caso de um grupo de pessoas fundadoras, estes denominam-se “co-founders”. 

Growth Hacking: conjuntos de técnicas e conhecimentos aplicados para que a startup alcance o estágio de tração e, posteriormente, de escala.

Investidor/a-anjo: nome dado às primeiras pessoas investidoras que aportam capital em uma startup nascente. Investem através de grupos ou na pessoa física, mas ainda não configuram um investimento institucional no processo de financiamento por estágios, vivenciado pela maioria das startups.

Landing page: na tradução literal, significa “página de aterrissagem”. Consiste na primeira página acessada por uma pessoa usuária através de um link. Hoje, bastante usada em campanhas de marketing digital, as Landing pages são também conhecidas como “páginas de conversão” e utilizadas em algumas campanhas para converter uma pessoa visitante em um potencial lead

Lead: termo usado no marketing digital, indica um/a potencial comprador/a, ou seja, alguém que demonstrou interesse em um determinado produto ou serviço.   

Lean: Eric Ries, um dos “papas” das startups e autor do famoso livro “Lean Startup” (em português “A Startup Enxuta”). Este livro traz consigo uma metodologia de gestão (vastamente disseminada entre as startups), que se baseia no aumento de produtividade através da redução de desperdícios e da aplicação dos pilares construir-medir-aprender. De forma geral, Ries defende que todo desenvolvimento ou lançamento de produtos deve ser testado e validado com antecedência e que nada deve ser desenvolvido sem, de fato, ter valor para o/a cliente / usuário/a. Ries nos apresenta os conceitos de MVP, métodos ágeis de desenvolvimento e o conceito do pivô.

Métodos ágeis (ou metodologias ágeis): conjunto de metodologias de desenvolvimento de software oficializadas e alinhadas com o manifesto ágil. Elas visam o desenvolvimento de softwares e projetos em geral de forma veloz e assertiva, evitando retrabalhos e grandes burocracias. Scrum e Lean são exemplos de metodologias ágeis amplamente utilizadas hoje em dia.   

Modelo de negócio: é como uma empresa cria, entrega e capta valor. O modelo de negócio abrange os principais pilares de uma empresa: sua estrutura de custos e de receitas, seus recursos, parcerias e atividades-chave, seu público-alvo, seus canais e formas de relacionamento com o/a cliente e sua proposta de valor. 

MVP: da sigla do inglês Minimum Viable Product, o MVP é, como a tradução em português já diz, o mínimo produto viável de uma startup. Em seus estágios iniciais, as pessoas fundadoras precisam transformar as suas ideias em um produto para testá-lo com usuários/as reais e validar sua visão inicial de produto e de negócio. O conceito de produto “mínimo” deriva metodologia Lean Startup, que busca, com poucos recursos, testar hipóteses, aprender sobre elas e desenvolver apenas o que é necessário e valioso para o/a cliente/usuário/a. 

NDA: sigla do inglês “Non Disclosure Agreement” (na tradução livre “Acordo de Não Divulgação”). É um documento comumente requisitado por grandes corporações, por exemplo, quando um PoC com uma startups envolve a troca de informações sensíveis. Este documento prevê que as informações trocadas entre as partes serão mantidas em sigilo entre elas. 

Open Innovation ou Inovação Aberta: é a prática, cada vez mais comum por parte de grandes empresas, de desenvolver novas soluções e parcerias estratégicas externamente à companhia, ganhando velocidade e reduzindo custos. A inovação aberta acontece, por exemplo, quando uma empresa se associa a uma universidade ou a uma startup para o desenvolvimento de um novo produto. 

Pitch (Pitches, no plural): é um discurso rápido e objetivo, com o objetivo de vender uma ideia/ uma startup para um público potencial, despertando interesse para uma conversa subsequente. São comuns em eventos como demodays e pitch days.

Pitcher: pessoa que apresenta um pitch

Pivotar: em uma startup, pivotar significa mudar algum direcionamento do modelo de negócio ou do produto, buscando alternativas que tenham mais aderência com o mercado e as/os clientes.

PoC: sigla de Proof of Concept, ou Prova de Conceito. É o nome dado para um primeiro projeto executado entre uma startup e um/a potencial cliente que queira testar seu produto e avaliar a eficiência de sua solução. 

Product Market Fit (PMF): é o estágio no qual uma startup percebe-se em aderência com uma demanda de mercado, ofertando um produto ideal correspondente àquela demanda. Startups que alcançaram o PMF normalmente observam um crescimento constante de receita e da base de usuários/as e de clientes, combinado com um alto nível de satisfação e de recorrência de uso por parte destas pessoas usuárias. Atingido o PMF, a startup precisa se preparar para ganhar tração e escala.

Runway: indica a expectativa de tempo de vida de uma startup, com base no dinheiro disponível em caixa e no valor gasto por ela mensalmente (a burn rate). Startups são negócios com recursos escassos na maior parte do tempo, ou seja, precisam manter suas operações enxutas enquanto validam o modelo de negócio ou até conseguirem uma captação de recursos. O runway normalmente é calculado em meses, representando o quão rápido uma startup deixará de existir se não conseguir novas receitas ou nova captação financeira. 

SaaS (Software as a Service):  é um modelo de negócio popularizado por diversas startups de tecnologia, baseado em dois pilares principais: computação em nuvem e modelo de receita recorrente. Se, antigamente, os softwares eram instalados fisicamente nas máquinas de cada cliente, hoje, sua localização em nuvem permite que eles sejam acessados de qualquer lugar, a qualquer momento. Assim, pessoas e empresas podem contratar um serviço de software em nuvem e cancelá-lo a qualquer momento, sem grandes mobilizações operacionais. Em relação à receita, o modelo SaaS prevê que os clientes paguem de forma recorrente como uma assinatura, gerando um fluxo de receita mais estável e contínuo para as startups. Outros modelos de negócio “as a Service” derivam deste conceito. 

Scale-up: startups em estágio de escala. São caracterizadas por já terem validado seu produto e modelo de negócio e terem entrado em um estágio de crescimento contínuo e acelerado.

Seed money: em português, “Capital Semente”. Como o nome indica, é o capital aportado na startup em seu estágio inicial e embrionário, quando poucas ou nenhuma validação do negócio aconteceu. Para a parte investidora, significa um alto risco e, para a parte empreendedora, a chance de desenvolver a sua ideia. Normalmente, é aportado por fundos de investimento, configurando o primeiro investimento institucional de uma startup.

Stakeholders: são as diversas pessoas (e “tipos” de pessoas) envolvidas no desenvolvimento de um projeto / produto da startup. São todas aquelas que, de alguma forma, têm interesse e relação com o que está sendo desenvolvido. Clientes, usuários/as, times de tecnologia e investidores/as são exemplos de stakeholders de uma startup.

Tração: na sua busca por escala, toda startup passa pelo estágio de tração. Neste estágio, o negócio já está mais maduro e muitas hipóteses já foram validadas: a parte empreendedora já sabe o que vender, para quem vender e como vender. O objetivo agora é aumentar os resultados da empresa e fortalecer a operação, para sustentar o estágio posterior de escala

Unicórnio: nome dado a uma startup que ultrapassou 1 bilhão de dólares em valor (ou de valuation

Valuation: é o quanto uma startup vale em dinheiro. As formas de calcular são diversas, mas seu conceito é essencial quando uma startup está negociando uma rodada de investimento. 

Venture capital ou Capital de risco: é o nome dado ao capital disponível em fundos de investimentos para ser aplicado em startups e à prática destes aportes. O nome se relaciona ao fato de startups serem negócios ainda pouco estabelecidos e, portanto, que oferecem alto risco para a parte investidora. 

 

Ainda em dúvida sobre o que é uma startup? Leia este artigo.

 

CRÉDITO:

Stella Risso, Head de aceleração da Liga Ventures

Formada em engenharia de materiais pela Universidade Federal de São Carlos, com passagem pela Polytechnique de Grenoble, na França. Estagiou na Endeavor Brasil e foi analista de investimentos do Harvard Business School Alumni Angels of Brazil, a associação de investidores anjos ex-alunos da Universidade de Harvard. É head de aceleração da Liga Ventures, empresa que transforma inovação em resultados reais para grandes marcas como Porto Seguro, Mercedes-Benz, AES Tietê, Unilever, Cia de Talentos, entre outras. Tem grande experiência acelerando startups e ajudando-as na geração de negócios com grandes corporações. Redes sociais: https://www.linkedin.com/in/stella-risso/

REVISÃO:

Luciana Fleury, jornalista

Formada em Jornalismo pela Cásper Líbero. Tem trabalhado com o desenvolvimento de projetos editoriais, produção de conteúdos e edições de textos. É mãe orgulhosa da Gabriela e coleciona globos de neve. Redes sociais: https://www.linkedin.com/in/luciana-fleury-1b024083/

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